EM SÃO PAULO

 

HISTÓRIA

Nos anos de 1600, um católico francês viajando para São Paulo, carregava na bagagem uma imagem de NOSSA SENHORA trazida de sua terra natal. À noite, montou acampamento no morro Aricanduva, na região onde hoje se estende o Bairro da Penha, na zona leste da cidade. Pela manhã reuniu suas coisas e retomou a caminhada. No entanto, à noite já na direção de Jundiaí, percebeu que a imagem havia desaparecido. Então, voltou ao local anterior, no morro Aricanduva, e a encontrou no alto da colina onde havia dormido. Aliviado, seguiu viagem, mas na noite seguinte percebendo novamente a ausência da imagem, retornou outra vez à mesma colina e lá encontrou a preciosa imagem da MÃE DE DEUS. Então o devoto entendeu que se tratava de algum aviso ou mensagem, que despertou a sua atenção para o desejo da VIRGEM, de que ali fosse erguida uma Ermida em sua homenagem. Procurando conversar com as pessoas que viviam na região e se interessando em satisfazer a vontade de NOSSA SENHORA, se empenhou corajosamente e venceu todas as dificuldades e incompreensões, edificando um pequeno e rústico Templo, onde colocou a imagem. Em seguida, fez questão de visitar os moradores das proximidades e comunicar o fato, fornecendo a todos, o endereço da pequena residência da MÃE DE DEUS.

A notícia se espalhou e chegou ao conhecimento do Padre Jacinto Nunes Oliveira, filho de um dos primeiros habitantes daquela região paulista. Ele foi ao local e vendo a imagem, conversou com o católico francês. De comum acordo decidiram transferi-la para uma pequena Capela existente no povoado, a qual na continuidade passou por diversas reformas, transformando-se numa Igreja modesta, mas confortável, sendo conhecida com o nome de Igreja de NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA.

Não é conhecida a data da construção do templo. O registro que existe na Igreja informa o ano de 1682, mas existem documentos indicando que na verdade, a obra foi edificada alguns anos antes. Por exemplo, a Paróquia possui um recibo passado por um padre ao receber uma quantia em dinheiro doada a NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA, com data de 24 de agosto de 1667. Importante que o fervor religioso do povo cresceu e todos sentiam um imenso prazer em frequentar a Igreja e prestar homenagens a MÃE DE DEUS. Esta realidade trouxe como consequência o crescimento do Bairro, que naturalmente, foi-se expandindo ao redor do Templo.

Em 1687, o Bispo Dom José de Barros Alarcão, quis transferir a imagem de NOSSA SENHORA para um recolhimento, um local mais reservado na Diocese, mas as mulheres do Bairro se revoltaram e a Padroeira permaneceu ali, no mesmo lugar.

Uma profunda e especial amizade a VIRGEM MARIA nasceu e robusteceu nos cristãos, e NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA retribuiu prontamente, de maneira extraordinária e admirável, pela sua poderosa e eficaz intercessão junto ao seu Divino FILHO JESUS, conseguindo um impressionante manancial de graças para todos que suplicavam e pediam benefícios necessários a sua existência.

A IMAGEM DA SANTA

A imagem original da VIRGEM é em madeira, e é preservada até hoje, protegida no altar da Basílica, construída entre 1957 e 1967, a alguns metros da primeira igreja.

A imagem de NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA está trajando um vestido dourado, ornamentado com florões dourados em tonalidades dégradé, um manto branco rendado envolve a cabeça e desce até os pés; usa uma linda coroa de ouro e na mão direita um Terço de contas brancas; o braço esquerdo ampara o MENINO JESUS, que veste uma roupa dourada, usa uma coroa de ouro e na mão esquerda segura um globo terrestre. A mão direita está ligeiramente elevada, como se esboçasse um gesto, convidando as pessoas ao Amor a DEUS.

Conta-se que o Bairro foi fundado pelo Padre Jacinto Nunes Oliveira por volta de 1667. Portanto, o Bairro da Penha é o mais antigo de São Paulo ao lado do Bairro de Santo Amaro. Pelo fato do Bairro ter se formado em torno da Igreja, ainda hoje a religiosidade é uma característica marcante na população local. A tradicional procissão realizada na Festa da Natividade da VIRGEM MARIA, no dia 8 de setembro, se reúnem milhares de pessoas.

O ANTIGO SANTUÁRIO

A primitiva Igreja cuja reforma foi iniciada em 1774 e concluída em 1801, foi construída em estilo colonial simples, em taipa de pilão, com paredes de 1,10 m de espessura, e serviu de Igreja Matriz por muitos anos, sendo elevada a Santuário Arquidiocesano de São Paulo pelo Arcebispo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, em 20 de julho de 1909. É o primeiro Santuário da cidade de São Paulo.

Desde o início, este local se tornou centro de peregrinação e visitação. Consta dos registros a vinda de Dom Pedro I, que pernoitou na Penha, e, no dia seguinte, depois de participar da Santa Missa, seguiu para Santos, e 14 dias depois, proclamava a Independência do Brasil às margens do Rio Ipiranga. Em 1886, Dom Pedro II veio a São Paulo juntamente com sua esposa, a Imperatriz Teresa Cristina Maria; o casal visitou a Igreja da Penha.

Em 25 de agosto de 1904, o Padre Antônio Benedito de Camargo, vigário da Paróquia, escrevendo no livro do Tombo, ao referir-se à Igreja da Penha consignou, de próprio punho o seguinte:

“É soberba, edificada sobre um alto, e a povoação num descampado inteiramente plano onde sopram todos os ventos, que fazem trazer a população isenta de moléstias. É esta Igreja procurada continuamente por convalescentes, como espécie de sanatório de onde depois eles saem sãos e robustos, cheios de vida. É raro, por isso, aparecer entre os habitantes daqui moléstias de caráter grave”.

Coube aos padres redentoristas preparar o ambiente espiritual para que a Igreja da Penha se tornasse Santuário. Na reunião do episcopado brasileiro, em Aparecida, por ocasião da solene coroação de NOSSA SENHORA APARECIDA, em 1904, o então bispo de São Paulo, Dom José de Camargo Barros insistiu com o Vice Provincial dos Redentoristas, para que aceitassem a Paróquia de NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA e lhe desse a importância e o brilho que os redentoristas haviam conseguido para o SANTUÁRIO DE APARECIDA. Assim, a 05 de março de 1905, Dom José Camargo de Barros entregou a Paróquia ao encargo dos redentoristas dando provisão de vigário ao Padre Lourenço Hubbauer.

Os filhos espirituais de Santo Afonso começaram por implantar na população o espírito de piedade, a verdadeira devoção a NOSSA SENHORA, exercitando e cultivando a prática dos mandamentos de DEUS e da Igreja e os caminhos das virtudes cristãs.

Numerosas romarias das paróquias passaram a vir ao Santuário, além do incalculável número de romeiros, que, sobretudo, aos domingos afluem ao Santuário para implorar a proteção milagrosa de NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA e cumprir as suas promessas.

Padre Oscar Chagas de Azevedo, primeiro vigário redentorista brasileiro, em 1935, iniciou e conseguiu levar adiante a reforma que deu ao antigo Santuário a forma que apresenta hoje. Em 1959, o Santuário comemorou o seu jubileu de Ouro, ou seja, 50 anos em que fora elevado a Santuário.

No dia 15 de setembro de 1957, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, 3º Arcebispo de São Paulo, lançou, solenemente, a pedra fundamental de uma nova Igreja que seria, sem dúvida, uma das maiores da cidade de São Paulo. Coube ao Padre José Augusto da Costa, vigário muito dinâmico e estimado pelos moradores da Penha, a tarefa de iniciar em 1958 a construção do novo Santuário que teve sua inauguração em 1967. No altar mor do novo Santuário se encontra a imagem milagrosa e tradicional deixada pelo viajante francês.

Durante algum tempo os dois templos funcionaram como Santuário e, em 1995, o Bispo Diocesano de São Miguel Paulista, Dom Fernando Legal, reestruturou o antigo Santuário dando-lhe a denominação de Santuário Eucarístico Diocesano NOSSA SENHORA DA PENHA.

SANTUÁRIO BASÍLICA MENOR

No dia 07 de junho de 1985 o novo SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA foi elevado à condição de Basílica Menor, pelo Papa João Paulo II que na sua Bula Pontifícia lembra a condição de NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA como Padroeira civil da cidade de São Paulo. A seguir transcrevemos o documento pontifício:

João Paulo II para toda a posteridade: Em um dos mais belos bairros da cidade de São Paulo está situado o novo e importante santuário que pelo esplendor singular de suas obras de arte e pela sua amplitude e majestade tornou-se muito conhecido, e, foi consagrado no ano passado a NOSSA SENHORA DA PENHA já anteriormente escolhida para Padroeira de São Paulo e como tal sempre honrada piedosamente e fielmente venerada pelos habitantes da cidade.

A fim de que nenhuma dignidade decoro e esplendor viessem a faltar nessa importante Igreja da Arquidiocese nosso venerável irmão Cardeal Paulo Evaristo Arns julgou oportuno e urgente solicitar a esta Sé Apostólica, em favor da mesma, o título de Basílica Menor para que pudesse mais plenamente cumprir sua missão de Templo Marial e, ao mesmo tempo, transformar aquele local em grande e operante centro de pastoral, difundindo os seus efeitos.

Diante deste pedido e de suas causas que, de boa vontade e de boa mente nós recebemos, confiando no parecer favorável da Congregação do Culto Divino devidamente informado, por força desta carta determinamos que ao referido templo, dedicado a DEUS, para honra e culto da SANTÍSSIMA VIRGEM, sob a denominação de NOSSA SENHORA DA PENHA, na Arquidiocese de São Paulo, seja já conferido o título e a dignidade litúrgica de Basílica Menor, com todos os direitos e privilégios que lhes são anexos.

Determinamos, igualmente, que sejam observadas todas as normas contidas no decreto sobre Basílica Menor do dia 06 de junho de 1968.

Nada obstando em contrário.

Dado e passado em Roma, junto ao túmulo de São Pedro, sob o anel do pescador, no dia 07 de junho de 1985, sétimo ano de nosso pontificado.

 

 

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